Bernays Propaganda: O Sobrinho Macedônio de Freud

Julho 6, 2009 by Gui1977

Divulgação: Moonlee Records

Divulgação: Moonlee Records

É possível, nos dias de hoje, uma banda fundar seus pilares no post-punk do fim dos anos 70, começo dos anos 80, ter uma postura e letras extremamente políticas e não soar saudosista? O álbum “Happiness Machines” dos macedônios do Bernays Propaganda nos mostra que sim. Podemos nos imaginar ouvindo uma banda cult ao mesmo tempo em que podemos nos manter no presente. Com vocal feminino e uma posição política que nos remete claramente a uma influência literária do Peace Punk, passando pela influencia do hardcore straight edge oitentista americano, a banda cospe seus ideais de forma direta e mostra que política e música ainda podem andar lado a lado nos dias de hoje.

O Nome da banda é uma referência a Edward Bernays (sobrinho de Freud e pai das RP) e sua obra Propaganda, publicada nos anos 20.

O som é carregado de energia, com uma bateria firme, ótima linha groove de baixo e com um vocal feminino tão belo e harmonioso cantado em Macedônico que torna totalmente irrelevante o fato de não entender o que Kristina Gorovska canta. Bernays Propaganda nos remete sonóricamente a mais de vinte anos atrás com uma linha em que claramente mostra as influencias de Joy Division, Gang of Four, Fugazi e da linha funky-punk  de bandas do selo de Tony Wilson, porém, feito com tal maestria que continua soando contemporâneo.

Foto: Ivan Iliev

Foto: Ivan Iliev

A carga política envolvida na banda é tão grande que, nos anos da explosão do punk, os colocariam certamente em uma posição de destaque dentro da cena, onde a própria banda ressalva que, apesar do som, Bernays Propaganda é profundamente enraizada na cena DIY, tendo dentre seus membros, nomes fortes da cena hardcore do leste europeu, como o guitarrista Vasko e o baterista Dzano, que já tocaram em bandas como FxPxOx, Suns e Treta Smena.

O disco é o debut da banda lançado via Moonlee Records, após um EP lançado de forma independente e participações em algumas compilações. O disco ainda conta com um ensaio em forma de texto com 30 páginas escritas em inglês por Kristina sobre violência e sociedade.

Toda essa carga política, misturada ao post-punk e a energia contida em pouco mais de 36 minutos de discos, me fazem crer que estou diante de um dos melhores lançamentos de 2009, isso claro, se você não tiver problemas em ouvir uma língua fora diferente e tiver uma queda por vocais femininos.

Da água ao vinho: passado profissional de Malcolm McLaren

Junho 29, 2009 by pedro keppler
foto: clashmusic.com

foto: clashmusic.com

As pessoas costumam pensar em Malcolm McLaren como o homem por trás do Sex Pistols. Isso que ele foi, por um tempo, o homem por trás do New York Dolls. Quando ele tinha 16 anos, o futuro produtor já tinha uma carreira profissional. Ou tentou ter uma.

Essa história de como uma pessoa trocou a enocultura pela cultura noturna é contada numa matéria publicada em 11 de março de 2007, no New York Times, das mãos do próprio McLaren:


Never Mind the Bordeaux
MALCOLM McLAREN

Eu tive somente um trabalho de verdade na minha vida. Eu sei o que você está pensando, mas gerenciar o Sex Pistols não foi um trabalho: foi um modo de vida que consistiu em criar um ambiente no qual pudesse agir livremente. O maçante emprego foi em Londres, em 1962, quando eu tinha 16 anos. Eu não havia me saído bem nos exames – na verdade, eu não havia sequer me importado com eles. Universidade era algo fora de questão.

Minha mãe me arrastou para a Agência de Empregos local, onde um homem leu uma lista de empregos disponíveis: operador de máquinas numa fábrica de canetas, assistente de vendedor de linhos, caixeiro de booking para banana boats. Enquanto ele seguia lista, passou por uma vaga para trainee de degustador de vinhos de George Sandeman, o venerável mercador de vinhos. A ocasional taça de sherry em dias religiosos fora o único vinho que eu havia experimentado. Mas minha mãe, um clichê vivo de noveau riche, achou que isso soava respeitável suficiente para entrar em todas cocktail parties.

Uma semana depois, eu me encontrava em Piccadilly subindo uma estreita escadaria para um sótão Dickenseniano. Sala após sala-atingida-por-bomba estava repleta de empoeirados barris e garrafas. Os outros seis trainees eram garotos de Eton e Harrow. A equipe permanente era formada quase inteiramente de coronéis retirados que haviam estacionado na Ásia, quando esta ainda era referida por Oriente. Com um rosto avermelhado e explosivo, nosso chefe era um ex-general que havia passado muito tempo em Burma – matando aldeões, rumores diziam.

Eu era um junior trainee degustador de vinhos e potencial vendedor de vinhos, o que significava que deveria saber tudo sobre vinhos franceses: entender seus valores por idade e qualidade, suas virtudes particulares e, como eu descobri mais tarde, seus vícios. Eu deveria ser capaz de reconhece-los por gosto e identificar de onde vinham.

Todo dia, os trainees eram vendados e levados para um cuspidor. Aqui nós recebíamos tubos de ensaio de vinho e solicitados para experimentar e não engolir. Blueface (como o general ficou conhecido entre nós por conta de suas veias azuis em seu rosto, como um gorgonzola) então nos ensinava sobre as qualidades de todos os vinhos, seguido da inevitável pergunta: “O que nós achamos disso?”.

Na primeira vez que isso aconteceu, estavamos experimentando tintos de Burgundy: “McLaren, diga-nos! O que você acha desse vinho?”.

Cego, incapaz de assimilar um pensamento coerente, eu vozerei: “Sim sinhor! Muito bom. Profundo…-uh, rico, rico, muito rico! Bom, bom”.

“O que você está falando?” respondeu ele. “Isto é um Pommard! A premier cru – 1950!”.

Justo. Mas então ele começou a ficar estranho. “Maldição, parece que um exército passou por lá…essa terra acumulada! Tudo lama. Tudo certo para esses franceses, mas o que nós gostamos é um pouco de frescor, não é?” disse ele, dando cotovelada nas minhas costelas. “Algo novo e intocado”.

Velho Blueface nos fez experimentar outro.

“Agora, isto é uma pequena garota de Morey St Denis!” disse ele. “Uma virgem. Ela precisa respirar um pouco. Então nós podemos aproveitar, saborear e amar como verdadeiramente merece, como Deus nos disse”. Enquanto nós, jovens virgens, ficamos paralizados, embarassados e enrubrescendo de aprender sobre fatos da vida desta maneira, ele falou sobre vinhos para homens e para mulhees. Vinho que tem gosto de homem e vinho que tem gosto de mulher. Vinho que era amigável, bordado, bobo ou simplesmente bonito; heróico ou covarde e tolo. E vinhos que desviavam discussão – esses eram aparentemente homossexuais.

Enquanto os dias passavam, nós viajamos ao longo da França, experimentando seu corpo, estudando suas regiões, aprendendo sobre sua geografia e separando seus homens de suas mulheres. Eventualmente nós estávamos no sudoeste, entornando copos de Sauternes.

“Agora, colega, o que você está bebendo?” perguntou retoricamente o general. “O que é esta bobagem?”.

Antes que pudéssemos responder, ele adicionava com desdém: “Não é francês. Os Romanos estiveram lá e plantaram isto. Nobre decadência! Eles deixaram as uvas pendurar no vinho e morrer lentamente, e o que você obtem? Um monte de gordura debaixo dos braços!”.

De fato, o vinho parecia pesado. Oleoso, gorduroso. Talvez, eu pensei, ele não seja inteiramente insano.

Atrás de nossas vendas, nós tentávamos imitar o que havíamos escutado. Com recentes Burgundy vintages, eu diria: “Virginal, senhor. Não viu um homem”. E com Bordeaux barato, eu sinalizaria: “Está certo, senhor. Esperto, amargo, sem muita disciplina nesse vinho”.

“Macho?”, Blueface perguntaria. “Fêmea?”.

“Definitivamente fêmea. Precisa ser colocada em seu lugar, não é?”

“Muito bom McLaren!” ele diria. Na verdade, eu era bom nisso. E ainda, eu sonhava com coisas melhores para fazer com meu tempo. Eu precisava de uma verdadeira aventura.

Durante nossos intervalos para almoço, o general fazia-nos marchar através da escola de artes de St. Martin. Um dia eu violei as regras e segui um grupo de garotas vestindo sweaters de mohair e meias de renda na escola, onde eu me deparei com uma mulher peituda – uma mulher de verdade! – posando nua num banco, cercada por estudantes desenhando sua aparição sexual. Como faço isso? Eu imaginei.

O general começou a falar sobre nos mandar para Oporto. Eu senti um calafrio pela minha espinha. Nada de Carnaby Street? E minhas roupas? Como eu iria usar camisas de bolinhas e cordões hipster verde-brilhante numa adega de vinhos portuguesa? Eu posso apodrecer! Como eu iria ver as novas bandas de rock’n’roll, The Rolling Stones? The Kinks? Como eu iria descobrir sobre sexo de verdade?

Eu precisava ser demitido. Mas como eu poderia ofender esse grupo de homens militares racistas e sexistas? Não havia outra maneira.

Na semana seguinte, durante a famigerada hora do almoço, eu fiquei ao fundo, fumando um Gitane atrás do outro, tentando arruinar os meus companheiros de gosto em algo que era agora uma sala cheia de fumaça. Eu devo ter fumado um maço inteiro. E então, uma voz: “Que turco imundo esteve aqui?”

“Senhor”, me anunciei. “Senhor, sou eu”.

“O que você está fumando?”. “Gitanes”, disse eu, tentando soar provocativo.

Blueface bateu seu punho na mesa. Seu pescoço roxo, ele procurou por uma caneta. “Havia eu cometido um erro? Juntar-se a este clube era tão importante? Mas então novamente, eu pensei, é tão velho! Não há lugar para ser livre, para errar, para pensar coisas idiotas, para agitar. Eu me senti brega por um tempo e, no ponto inicial, aparentava uma possível corte-marcial.

Mas ele colaborou. Ele escreveu para minha mãe: “Seu filho não serve para trabalhar nesta firma. Ele está fumando cigarros estrangeiros, impedindo outros garotos de experimentar e sentir o cheiro de nossos vinhos. Ele é um sabotador!”.

Isso foi anos antes de ouvir as palavras “concentrado”, “apimentado”, e “herboroso” quando descrevendo vinho. Quando eu beberia Hermitage mais tarde com meus amigos estudantes de arte, eu me encontraria dizendo: “Este tem umas costas largas: velho, maior que suas costas. Um corpo verdadeiramente heróico, masculino”. Ou, então, um Beaujolais barato era “jovem, bordado, tem que observá-la – ela irá traí-lo”. Meus amigos olhavam para mim, divertidos, como se eu fosse um ser intrigante, levemente exótico, saído de um barco de Burma.

Sky “Sunlight” Saxon RIP

Junho 27, 2009 by Gui1977
divulgação: Myspace.com

divulgação: Myspace.com

No dia em que o mundo parou para chorar a morte do “Rei do Pop”, o Rock teve uma imprescindível baixa. Sky “Sunlight” Saxon, vocalista da lendária banda de garage The Seeds morreu aos 63 anos no hospital de St. David’s South Austin, em Austin/Texas.

Sky Saxon morreu de falência multipla na manhã do dia 25 de junho.

Considerado por muitos como o ‘King of Garage Rock’, ‘Master of Psychedelia’, ‘Godfather of Punk’ e ‘Founding Father of Flower Power’, Sunlight teve uma densa e ininterrupta carreira musical desde a década de 60. O Orgia para Ouvidos deseja um descanso em paz para um músico cuja carreira e contribuição o levarão à eternidade.

Site OficialNota de Falecimento

Todo Rancid em Let the Dominoes Fall

Junho 23, 2009 by pedro keppler
foto: divulgação

foto: divulgação

O novo disco do Rancid, Let the Dominoes Fall (Epitaph), parece ter sido planejado para reviver aquilo de mais bem sucedido que a banda fez. No conjunto da discografia do Rancid, os álbuns soam extremamente homogêneos e é fácil identificar qual faixa está em qual disco. Por exemplo, é impossível imaginar Ruby Soho em Life Won´t Wait, ou Blackhawk Down em Let´s Go.

Aqui há espaço para tudo que saiu do Rancid: punk ska, dub e ragga de Life Won´t Wait, punk melódico e pop de …And Out Come the Wolves, punk californiano do Let´s GO etc. Isso sem contar aquilo que investe em sonoridades de projetos paralelos dos integrantes – o Transplants e Lars Fredericksen and the Bastards.

Last One to Die é o primeiro single e aposta no lado pop do Rancid. Para aqueles que conheceram a banda no seu disco mais bem sucedido, o And Out Come the Wolves, esta faixa soará bem familiar. Ela é preenchida com todo aquele misto paradoxal de melancolia e vontade de viver que caracteriza o álbum de 1995, com a voz de um envelhecido Tim Armstrong, que já se mostrou mais que adequada à baladas punk, somada aos coros quase oi! de Lars e seus riffs dissonantes. No final da equação, acaba como um legítimo clássico do grupo, algo que alcança o nível de Ruby Soho.

Algumas faixas também puxam novas linhas, como o punk-folk de Civilian Ways e The Highway, a primeira sendo quase uma citação de Pogues em algumas frases. New Orleans leva vocais de Lars Fredericksen e refrões em coro, ao lado de Tim Armstrong. É mais uma canção de superação, tanto em seu clima como sua letra, ao lembrar a cidade arrasada por Katrina como dona do “orgulho de um milhão leões” e de “uma cicatriz em seu rosto de veludo”. Também chama atenção a segunda faixa, East Bay Night, por conseguir tanta força numa canção tão simples.

Cabe ressaltar, a revisão dos trabalhos anteriores não quer dizer que não criou nada novo. Pelo contrário, Let the Dominoes Fall prova que a banda possui um estilo próprio e pode usá-lo para tornar seu trabalho mais denso e encorpado. Tendo isso em mente, um álbum como esse surpreende qualquer fã que esperou seis anos para ter algo novo de uma banda.

Stiv Bators RIP 22.10.1949 – 04.06.1990

Junho 4, 2009 by pedro keppler
foto: flickr.com/photos/jenniferfinch

foto: flickr.com/photos/jenniferfinch

King Khan & BBQ Show e Jay Reatard @ Lançamento da Vice

Junho 4, 2009 by pedro keppler
Foto: Mateus Mondini (flickr.com/photos/mateuspatche)

Foto: Mateus Mondini (flickr.com/photos/mateuspatche)

A Vice chegou ao Brasil e foi recebida com uma festa na The Week, em São Paulo. Sem iconografia nazista e excessos hipsters, uma festa dessas não parece muito interessante. O que interessa foi ela ter feito isso com shows exclusivos de King Khan & BBQ Show e Jay Reatard, somente para os convidados ou corajosos que tiveram paciência de aturar uma série de festas pouco atrativas por uma cujas atrações eram surpresa.

Também tiveram outros artistas no evento, como A-Trak, Dubstrong e DJ set do Rapture. O primeiro faz muita coisa boa, como tocar Double Dee & Steinski, mas, na maior parte do tempo, não passa de electro vazio. Dubstrong é excepcional, faz a frente future dub e dubstep do Brasil com ótimos bleeps e baixos wobble. O Rapture fica como dúvida, pois o Orgia Para Ouvidos não estava mais lá. O que se pode dizer é que, pelas influências que citam, o DJ Set deve ser bem melhor que o próprio som da banda.

De qualquer jeito, os dois shows valeriam pela festa. Valeram mais ainda para quem conhece o trabalho dessas duas bandas. Valem para também aqueles que não conseguiram ir, porque a seguir estão as bootlegs das duas apresentações.

Foto: Mateus Mondini (flickr.com/photos/mateuspatche)

Foto: Mateus Mondini (flickr.com/photos/mateuspatche)

King Khan & BBQ Show @ Lançamento da Vice, The Week 02-06-2009

Jay Reatard @ Lançamento da Vice, The Week 02-06-2009

As gravações estão em baixíssima qualidade, mas é melhor que nada.

The Fall – Austurbaejarbio, Reykjavík, Islândia 1981 e 1983 [bootleg]

Junho 2, 2009 by pedro keppler
Scan: Jon (Unofficial Fall Website)

Scan: Jon (Unofficial Fall Website)

Há um consenso em relação ao The Fall: a melhor fase do grupo diz respeito ao período entre Dragnet, o segundo disco, de 1979, e o álbum Perverted By Language, de 1983. No auge desta passagem, o conjunto fez Hex Enduction Hour, considerado o melhor feito da banda, parte na Islândia, parte em Hitchins, Inglaterra, num cinema abandonado. É este o contexto apresentado por essas bootlegs.

Enquanto esteve na gélida ilha, pela primeira vez, em 1981, o Fall não deixou de fazer alguns shows. Bandas islandesas reconhecem como essa visita foi importante para trazer olhos ao punk do país, bem mais sofisticado que o inglês naquela época. Apesar de MES não ter dito nada positivo sobre eles, bandas como Purkurr Pillnikk e C4U abriram essas apresentações e tiveram seus nomes nas páginas da Melody Maker.

Foto: encarte Hex Enduction Hour (Cog Sinister)

Foto: encarte Hex Enduction Hour (Cog Sinister)

Os shows acontecem em dois lugares, no Hotel Borg e no antigo cinema Austerbaejarbio, em Reykjavík. Ainda não foram encontradas gravações dos shows nos dias 9 e 10 de setembro, no Hotel Borg. A ausência dessas fitas não deixa de ser uma grande perda, dado que, possivelmente, foram os primeiros shows com dois bateristas da banda.

Dois anos depois, o conjunto voltou ao país e, segundo o registro, para apenas um show (mais tarde lançado oficialmente como The Fall – Live in Reykjavík), novamente no Austerbaejarbio. Provavelmente porque, como narra a cobertura da Melody Maker, após algumas pessoas deixarem a casa e outras ficarem só para tentarem se convencer de que aquilo valia a pena, o The Fall decide amar a Islândia.

The Fall – Austurbaejarbio 12-09-1981/ Bitrate: 128/ 45:22 min/ size: 41.3MB

tracklist
01. Container Drivers (2:36)/ 02. Iceland (0:54)/ 03. Fortress (2:50)/ 04. Middle Mass (4:02)/ 05. Totally Wired (3:53)/ 06. Hip Priest (6:46)/ 07. Deer Park (2:10)/ 08. Look, Know (5:02)/ 09. Who Makes the Nazis? (3:37)/ 10. Leave the Capitol (4:04)/ 11. Lie Dream of a Casino Soul (3:14)/ 12. Slates, Slags etc. (6:14)

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The Fall – Austurbaejarbio 06-05-1983/ Bitrate: 229/ 73:21 min/ size: 113MB

tracklist
01. Tempo House (9:32)/ 02. Classical (7:42)/ 03. Eat Y´Self Fitter (7:57)/ 04. Hexen Definitive (4:14)/ 05. I Feel Voxish (6:15)/ 06. Man Whose Head Expanded (6:14)/ 07. Garden (8:45)/ 08. Kicker Conspiracy (4:41)/ 09. Look, Know (5:38)/ 10. Backdrop (12:23)

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Pretty Green por Liam Gallagher

Maio 30, 2009 by Gui1977
Divulgação: Myspace.com

Divulgação: Myspace.com

“This is the pretty green, this is society. You can’t do nothing, unless it’s in the pocket, oh no.”

Se passaram praticamente 30 anos desde que Paul Weller trouxe ao mundo seu hino anti-consumista, Pretty Green, criticando o “way of life” britânico envolto em dinheiro (pretty green).

Após todos esses anos, Weller recebe (ironicamente) uma homenagem em forma de consumo. Ocorre segunda-feira, dia 01/06, o lançamento da Pretty Green, linha de moda masculina de Liam Gallagher (fã e amigo pessoal de Weller). O projeto, ainda em desenvolvimento, traz claramente uma junção de muitas influencias musicais de Liam.

A primeira linha é de primavera e conta com a ideia de trabalhar apenas com peças em edição limitada, uma maneira de alavancar as vendas, as quais acontecem apenas pela internet, com produtos enviados para todas as partes do globo.

No mês de maio, o site Pretty Green soltou algumas imagens de um ensaio fotográfico feito nos famosos arredores de Brigthon, deixando claro o público que pretende atingir. Não contente em já ser o proprietário/designer da marca, Liam também ataca de garoto propaganda, numa singela dose de prepotencia, caracteristica mais do que marcante na vida dos irmãos Gallagher.

Foto: Pretty Green.com

Foto: PrettyGreen.com

Foto: PrettyGreen.com

Foto: PrettyGreen.com

Em um contexto geral, a Pretty Green traz uma canalização de muitas influencias não só de Liam, como de toda a cena musical inglesa do fim dos anos 80 e decorrer dos anos 90 chamada de Britpop. São roupas baseadas na contracultura Mod dos anos 60 e no revival Mod do meio pro fim dos anos 70, com desenhos classicos da indústria do calçado (casual), Parkas, Knitwear, acessórios e muito mais. Todas peças contam com aprovação final de Liam que promete sua total dedicação, dizendo até que não venderá nada que ele mesmo não use.

Segue um vídeo de Liam Gallagher comentando dessa sua nova empreitada no mundo da moda.

“Roupas e musica são minha paixão. Não estou aqui para tomar o lugar de ninguém e não estou pelo dinheiro também. Estou fazendo isso por existir uma falta de roupas que gostaria de vestir.” Liam Gallagher

Rock the Olympia – Fansite grego em tributo ao The Clash

Maio 28, 2009 by pedro keppler
Clash em revista grega (imagem: www.clash.gr)

Clash em revista grega (imagem: www.clash.gr)

Há aproximadamente 5 anos, Theophilus Ioakimidis, 26 encontrou alguém para compartilhar sua obsessão pelo The Clash. Não conhecia ninguém que gostasse tanto da banda quanto ele; mas um dia mandou um email para Iossif “BroodingSideofMadness”, 36, que possuía uma página na internet sobre a banda. Eles se conheceram e sua paixão pela influente banda os levou a dirigirem a Clash Tribute Page.

Eles só se encontraram ao vivo uma vez, mas já organizam uma crescente base de fãs para uma banda que possui um merecido culto. Não só pelo portal de notícias dialogam com fãs do Clash, mas também com festas tributo, organizadas anualmente.

“Eu acho que todo país devia ter páginas tributo de bandas tão importantes e algumas estrelas do rock´n´roll. É parte da nossa história e parte de nosso futuro”, diz Teo. Compartilhando a paixão da banda, eles cederam uma entrevista ao Orgia para Ouvidos falando de seu trabalho.

Qual a importância do The Clash hoje em dia?

Iossif: A herança do Clash está em todos lugares nas últimas décadas. Não só em termos de influenciar musicalmente um amplo espectro de outras bandas. Tome como exemplo a linha de gêneros musicais como US Ska, Punk, bandas de Rock – Dub crossover, até mesmo alguns DJs foram influenciados por eles. Liricamente, especialmente as letras de Joe [Strummer, vocalista] – algumas vezes mitológicas como um assunto sociopolítico.

Theo: As letras do Clash são relacionadas hoje em dia com declínio social e pobreza mundial. Atualmente, Lost in the Supermarket deveria ter sido grafitada em cada muro de tijolo londrino; London Calling deveria ressoar dentro de nossas consciências…O xerife da cidade deixou o Clash fora do pensamento contemporâneo.

Também acho que é determinado pela própria História para nos dar algo adiante de seu próprio tempo. O mesmo acontece com o Clash. Eles surgiram 30 anos antes de sua era, então é nosso “dever” forçar sua política ou idéias na nossa rotina de “vida ou morte” [trocadilho com Death or Glory, música do álbum London Calling].

Flyer para tributo a Joe Strummer (imagem: www.clash.gr)

tributo a Joe Strummer (imagem: www.clash.gr)

Vocês organizam festas tributo ao Joe Strummer. Falem um pouco sobre elas.

Iossif: Sobre essas festas, é um tributo anual. São discotecagens com outros fãs de Clash [Clasheads]. Nada mais simples brinda e relembra as canções do Clash.

Theo: Salonica, segunda maior cidade da Grécia, onde eu moro, não recebeu nenhuma festa ainda. A capital Atenas, devido ao Iossif, tenta todo ano fazer esse tributo. É hora de termos mais festas em outros lugares na Grécia, Europa e todo o mundo…

Iossif: Mas existem muitos eventos no mundo inteiro, especialmente na Itália. Os fãs italianos de Clash parecem muito ativos nos últimos anos.

Theo: Concordo, mas eu imagino um tributo ao Clash em toda cidade do globo terrestre. As pessoas precisam acreditar, e que outra maneira melhor do que com as letras do Clash?

Existem muitas bandas gregas influenciadas pelo Clash?

Iossif: A banda é muito famosa aqui e mais ou menos quase todas bandas de punk foram influenciadas por eles, eu suponho. Eu não me lembro de nenhum nome específico agora, mas já que sou um cachorro velho vou citar o notório Panx Romana. Eles foram ativos nas décadas de 1980 e 1990. Mas, para ser mais honesto, eu escuto mais bandas brasileiras do que gregas.

Por fim, eu sei de muita gente na nossa cena que são grandes fãs. Mas em suas bandas você não encontra influência alguma. E isso é saudável, na minha modesta opinião, eu não estou atrás de algo nostálgico.

Theo: Você encontra influência do Clash somente em antigas bandas punk dos anos 1980…e somente do primeiro álbum e estilo. Eu vou me referir ao Panx Romana, como fez o Iossif – uma grande banda punk grega que toca freqüentemente o cover de London Calling ao vivo.

Iossif: E Should I Stay or Should I Go. E alguns covers de Ramones.

Theo: Sim, é verdade. Mas, falando geralmente, artistas gregos tentam imitar o estilo e ficam presos a isso.

ticket para show do Clash na Grécia (imagem: www.theclash.gr)

ingresso para último show do Clash, na Grécia (imagem: www.theclash.gr)

Como vocês conheceram o Clash e quanto de suas vidas foi construído ao redor da banda?

Theo: O Clash eu conheci pelo hit Rock the Casbah, por ser um sucesso do rádio, e pela minha paixão pelo Ramones. Procurando desesperadamente sobre a banda, encontrei o site tributo do Iossif e pensei “meu deus! Mais alguém na Grécia que ama The Clash! Eu nunca encontrei ninguém na minha época de escola e agora tem uma pessoa por aí dedicada à banda”. Eu achava isso tão legal. E o resto é história.

Iossif: A primeira vez que ouvi foi em 1981 e eu fui apresentado pelo meu irmão mais velho. Todo dia eu conhecia ótimas bandas, novas ou velhas, mas aquele LP triplo me assombrava. Por isso é o mais influente para mim.

Nós nos conhecemos via meu site de fã do Clash no geocities. Teo me mandou um email. Aliás, eu só o encontrei ao vivo uma vez, um ano atrás. Mas eu o conheço há 4-5 anos.

Iossif: [Uma consideração final] Agradeço a todos fãs e não fãs do Clash e irmãos brasileiros.

Woebot, arqueólogo sonoro

Maio 26, 2009 by pedro keppler
foto: Divulgação (www.blissout.blogspot.com)

foto: Divulgação (www.blissblog.blogspot.com)

Enquanto manteve seu blog ativo, Matt Ingram Woebot produziu algumas das mais relevantes considerações sobre música para aquele período. De fato, poucas pessoas compartilharam um olhar tão aguçado, que já se exemplificava pelos seus rankings de discos, coleções em vinil separadas por tema num verdadeiro trabalho de arqueologia sonora. É assim que pode ser visto seu primeiro álbum, que teve lançamento independente neste ano.

O disco auto-intitulado é produzido numa metodologia particular de samples, onde o som encorpado do vinil é transferido para o formato digital e consagrado por suas perdas. O que nos resta são assombrações de sons, aquilo que podia muito bem designar o trabalho de Woebot na sua arqueologia de LPs: “um pós-modernismo referencial do mundo moderno”. (O próprio explica sua tese com citações de Walter Benjamin e Hegel no press-release).

Por um lado, as faixas compõe um panorama da música atual: os bleeps e ecos não deixam de falar de hauntology e a produção de Mordant Music, como em Pubtronic e Bleech; da mesma maneira que o uso de efeitos de orquestra e coros em Diudatae falam de dubstep, grime e, acima disso, Burial, um nome que pauta a música eletrônica desde 2007. Pubtronic, por outro lado, parece falar de grime e hauntology ao mesmo tempo, dando liga às duas frentes que inovaram música nos últimos tempos.

festa de kraut-rock com discotecagem de Woebot (foto: woebot.com)

festa de kraut-rock com discotecagem de Woebot (foto: woebot.com)

Maker usa de elementos étnicos para lembrar a obra da Skull Disco, mas também do selo Sublime Frequencies, de certa maneira, que com seu orientalismo traz uma nova visão transcendental à psicodelia da música ocidental. Daisy Chain segue a mesma linha, com algo de kraut-rock de bandas como Neu! e Can.

Ao final do disco, Vicar é uma faixa que chama um destaque, como um súbito flerte com barulhos, noise e uma mistura de Glitch com um violino. Trata-se de um ecletismo que, ao mesmo tempo que mantém um diálogo com a contemporânea cena Wonky e 8-bit music, faz-nos perguntar a evolução da música: ela vai do barulho à ordem e, ao final das contas, ao barulho? Qual o limite da música?

As referências não são simples, assim como o sofisticado trabalho em jornalismo musical que Matt produziu. É um trabalho parecido com o de um arqueólogo, que muda nosso tempo com descobertas do passado. Woebot, porém, busca fazer a música hoje ao mesmo tempo em que a explica, trabalhando hoje e no passado, reconhecendo a citação pós-modernista num passo moderno. Como gostar de vinil, é para aqueles que realmente gostam de música. Como diziam no final dos anos 1980, “é música para crítico de música”.