O Orgia para Ouvidos pode estar parado por muito tempo, mas isso não quer dizer que o blog parou. Por um lado, é possível conferir algumas coisas que tenho escrito para o www.figurama.com.br . Apesar de não seguir nem um pouco a linha daqui, não incomoda ter este trabalho mais reconhecido.
Janeiro
O ano começa com a morte de Jay Reatard no dia 13 de Janeiro. Uma grande perda para a música e, principalmente, a cena DIY. Jimmy Lee Lindsey adotou o nome artístico que marcou uma profílica carreira, que inicia aos seus 15 anos. Desde 1998, nove bandas tiveram gravações com Reatard; mas, aquilo que definitivamente o iconizou foi uma genial carreira solo. Seus três últimos discos definitivos, Blood Visions (2006), a coletânea Matador Singles (2008) e Watch me Fall (2009) são ápices do punk da década de 2000; álbuns com verdadeira sofisticação. Jay Reatard foi algo que o punk luta constantemente para ser nos anos 2000, criativo.
Fevereiro
Depois de uma perda, uma ressurreição. O Flicts foi uma das mais importantes bandas do punk de São Paulo do final dos anos 1990 e início dos anos 2000. No dia 27 de fevereiro, o grupo fez uma volta definitiva após anos de shows esporádicos e ainda segue apresentando-se. O Hangar 110 lotou de punks, skins, em grande parte com camisetas de times de futebol. Muitos pareciam ver o primeiro show do Flicts de suas vidas, o que mostra como a banda conseguiu tornar-se clássica. Como sempre, eles foram encorajadores e é cabível apostar que uma maioria se emocionou com o show, mesmo evidente que não era a mesma coisa que a encarnação anterior da banda.
Março
Vive Les Bacons foi a primeira festa totalmente organizada pelo Orgia para Ouvidos. Ainda que limitados a ausência de uma vitrola, a discotecagem de amigos e da equipe rendeu uma boa estréia do blog nas pistas. A festa foi feita para comemorar o aniversário de dois amigos do Orgia, com um deles confessando ter tido o melhor aniversário de sua vida. Enfim, não foi um estouro que repercutiu por toda cidade, mas a satisfação da realização compensa a dimensão do evento.
Abril
Se dois ídolos pudessem ser apontados pelo Orgia para Ouvidos, um para cada editor, eles seriam Mark E. Smith e Paul Weller. Em abril, ambos lançaram discos inéditos. O primeiro, com o The Fall. Our Future Your Clutter foi o vigésimo oitavo disco da banda e já é uma grande obra mesmo sendo “apenas mais um disco do The Fall”, como a crítica apontou. Paul Weller trouxe Wake Up the Nation, um disco solo onde retomou a colaboração do ex-Jam Bruce Foxton e mostrou um artista muito mais aberto e aventuroso em influências novas, incluindo música africana.
Maio
Dennis Hopper não conseguiu o sucesso e o respeito em Hollywood como seu nome pedia, mas é difícil ignorar seu trabalho na história do cinema e da arte. Em primeiro lugar, Hopper é uma quintessência da rebeldia e do cool no grande cinema. Não só o diretor e ator de Easy Rider, é o traficante de drogas de The Trip, o fanático seguidor do Coronel Kurtz de Apocalypse Now, sem contar o início de sua carreira em Juventude Transviada ao lado de James Dean. Em segundo, uma curiosa produção artística em fotografia, pintura, escultura e poesia – curioso, também interpretou o marchand Bruno Bischofberger, em Basquiat.
Junho
O The Stranglers é uma das mais conhecidas bandas de punk de 1977 e, ao mesmo tempo, uma das que mais escapa do manual da cena. Hugh Cornwell foi o vocalista e guitarrista do grupo, cujo trabalho tem presença durante a new wave toda. Em junho, apresentou-se pela primeira vez no Brasil, possibilitando um dos contatos mais íntimos com o The Stranglers para o público brasileiro. Um encerramento otimista para um semestre que foi muito pobre em shows.
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julho 17, 2010 às 7:42 pm |
“explica aí, tatiana, já que você viu até o final, entendeu o contexto/conceito todo, não é imbecil e não acha que é artista ou entende de arte.”
que bonitinho
julho 20, 2010 às 8:40 pm |
é igual entrevista de tv. quem não tem nada para dizer, comenta blog. sou muito mais alguém que só diga se gostou ou não.